• No trânsito, ouvir é tão importante quanto enxergar

    Audição debilitada ou problema auditivo não tratado pode ser a causa de acidentes graves. Saiba como prevenir

    A audição no trânsito é tão importante quanto a visão. A comparação pode parecer impossível, mas um problema auditivo pode impedir um motorista de ouvir uma buzina e saber de qual lado ela vem, de escutar sinais sonoros como os que são utilizados em linhas de trem que cruzam pistas, de identificar um barulho diferente no próprio veículo. Ao pedestre, pode atrapalhar a identificação do ruído da chegada ou da buzina de um ônibus, por exemplo. Motivos suficientes para a ocorrência de acidentes de proporções graves.

    O Brasil tem hoje cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva. Dessa população, 2,3 milhões apresentam deficiência severa. Números do Departamento Nacional de Trânsito (Detran) informam que entre janeiro de 2014 a agosto de 2019, o número de CNHs emitidas para motoristas com algum tipo de prejuízo auditivo registrou acréscimo de 36% nos período – ao todo, foram emitidas 71 mil licenças para habilitação para motoristas deficientes auditivos no período. Desse total, 88% usam aparelhos de surdez.

    A resolução 168/2004 do Conselho Nacional do Trânsito (Contran) concede aos portadores de deficiência auditiva com deficiência até 40 decibéis o direito de dirigir veículos nas categorias A e B sem o uso de aparelhos auditivos. Só que o um problema na audição pode aumentar com o tempo se não for tratado corretamente. E aí, o que era apenas uma sensação de perda mínima de audição pode se transformar em um problema maior, muitas vezes irreparável.

    “Mesmo que o paciente consiga obter a CNH sem a obrigação do uso de aparelho auditivo, nossa recomendação é sempre a da adaptação ao uso de um aparelho, para evitar a percepção auditiva debilitada”, esclarece Marcia Bonetti, fonoaudióloga e responsável técnica da Audiba, empresa paranaense de aparelhos auditivos. A especialista informa que, mesmo que haja a autorização para dirigir sem o aparelho, o uso de uma prótese para quem já apresenta deficiência na audição dará não só mais segurança no trânsito como qualidade de vida.

    Mais do que a renovação da CNH

    “Muitas vezes o paciente nos solicita uma prótese apenas porque, para obter a renovação da CNH, a audiometria feita no exame do Detran exige o uso do aparelho. Mas é preciso pensar no aparelho como algo que vai além disso. Ele permite que a pessoa tenha vida social normal, que não perca a capacidade de reconhecer sons, que possa continuar conversando sem obstáculos com família e amigos, que possa falar ao telefone. Oferecemos a ele tudo o que ele não veio procurar”, explica.

    Motoristas profissionais, que passam boa parte do dia em um veículo de passeio, na direção de um transporte público ou na boleia de um caminhão, costumam apresentar problemas mais frequentes no ouvido esquerdo, por ser ele o mais próximo à exposição dos ruídos externos. Empresas costumam realizar audiometria uma vez por ano como requisito para o trabalho. Quando especialistas identificam alteração significativa na audição desses profissionais, a solução é a troca de função dentro da companhia, aponta Márcia.

    “É comum que o profissional contratado sem alteração auditiva passe a desenvolver perda da audição em função da exposição ao ruído. Por isso é fundamental que os exames sejam feitos periodicamente”, salienta. Nos casos daqueles que já sinalizam problemas, os exames são necessários para identificar se há evolução da perda auditiva. Sem tratamento adequado, uma perda de audição leve ou moderada pode evoluir para uma perda severa. Sem o estímulo sonoro necessário, a parte do cérebro responsável por identificar sons pode perder essa capacidade, o que altera definitivamente a saúde e a qualidade de vida do paciente.

    Originalmente publicado em www.afinamenina.com.br

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